T e s t e  d a  O r e l h i n h a

Em nossa vida diária, existem inúmeras situações as quais estamos expostos ao barulho. Já no estado embrionário, a partir do 5° mês de gestação, os órgãos do sentido da audição encontram-se formados. A partir desse momento, inicia-se o longo e difícil processo de compreender a fala e aprender a falar.

Logo nos primeiros dias de vida, é possível avaliar a audição do bebê através do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas, conhecido popularmente como “Teste da Orelhinha”. A realização da triagem auditiva neonatal de rotina é a única estratégia  capaz de detectar precocemente perdas auditivas que irão interferir na qualidade de vida do indivíduo. O processo de detecção de alterações auditivas deve começar com a triagem auditiva neonatal,acompanhada de diagnóstico e intervenção precoces. Quando comparadas ´outras patologias passíveis de rastreamento ao nascimento, a surdez em bebês possui uma incidência bastante significativa. Por exemplo: fenilcetonúria, realizada através do “Teste do Pezinho” (1:10.000); hipotireoidismo (2,5:10.000), anemia falciforme (2:10.000) e surdez (30:10.000), segundo dados do NCHAM (1997) – National Center of Hearing Assessment and Management.

Considerando a audição de fundamental importância para a comunicação entre os indivíduos, assim como para a integração dos mesmos á sociedade, diagnosticar os distúrbios da audição de forma objetiva, simples, rápida e não-evasiva tem feito parte da rotina do médico otorrino e do fonoaudiólogo que, de modo multidisciplinar, vêm trabalhando na área. Por representarem manifestação da cóclea e não dependerem da maturidade do sistema nervoso, as emissões otoacústicas são ideais para avaliação da audição em bebês.

O “Teste da Orelhinha”, segundo a Lei n° 2.794, de 16 de Outubro de 2001, dispõe sobre a realização do exame nos Hospitais da rede pública e privada do Distrito Federal.

Emissões Otoacústicas (EOA) são sons provenientes da cóclea, produzidos pelas células ciliadas externas, e que podem ser medidas no meato acústico externo. O som captado pelo pavilhão auricular é transferido para a membrana timpânica, que por sua vez transmite a energia acústica para a cadeia ossicular, que vibra em bloco. As vibrações acústicas passam, em seguida, para a orelha interna, por intermédio da platina do estribo, e colocam os líquidos perilinfáticos em movimento. Segundo Kemp, é “liberação de energia sonora originada na cóclea, que se propaga pela orelha média, até alcançar o conduto auditivo externo”.

O exame consiste em captar a energia acústica vinda do ouvido médio, que é produzida no ouvido interno, de forma espontânea ou em resposta a um estímulo sonoro, com o auxílio de um equipamento computadorizado, por uma pequena sonda adaptada ao canal auditivo externo. O teste é realizado por Fonoaudiólogos, especialistas em Audiologia. O exame não exige preparação prévia, apenas o bebê estar bem quietinho (dormindo), não exige medicação, não tem contra-indicação, não é invasivo, é efetuado durante o sono natural do bebê, pode ser realizado a partir das primeiras 48 horas de vida, entre outros fatores. As Emissões Otoacústicas trazem informações objetivas sobre os elementos pré-neurais da cóclea, não quantificando a deficiência auditiva, e sim detectando a sua presença e/ou ausência. As mesmas são registradas em indivíduos com audição normal ( escutam até 25dB), independente de idade e/ou sexo. Ausência ocasional das emissões otoaústicas se devem a fatores como: alterações anatômicas do conduto auditivo externo, orelha média ou orelha interna, problemas relacionados ao equipamento ou excesso de ruído ambiental.

Fatores ou indicadores de risco para perda auditiva, segundo o Joint Committee on Infant Hearing (1994):

  • Apagar de 0-4 no 1° minuto ou 0-6 no 5° minuto;
  • História familiar de deficiência auditiva neurossensorial hereditária na infância;
  • História familiar de deficiência auditiva congênita;
  • Anomalias crânio-faciais, incluindo as alterações morfológicas de pavilhão auricular e conduto auditivo externo;
  • Infecção congênita: Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes;
  • Peso ao nascimento menor que 1500 gr;
  • Hiperbilirrubinemia a nível exsanguíneo-transfusão;
  • Medicação ototóxica;
  • Meningite bacteriana;
  • Ventilação Mecânica por período maior que 5 dias;
  • Síndromes associadas à deficiência auditiva condutiva ou neurossensorial.

O seu bebê faz isso?

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De 0 a 3 meses: o bebê se assusta, chora ou acorda com sons intensos e repentinos.
Acalma-se a ouvir a voz da mãe. Pisca o olho se escuta um som alto demais. Para de mamar ao ouvir a voz humana.

- De 3 a 6 meses: vira a cabeça para os lados procurando a origem do som. Fixa os olhos no objeto sonoro. Reconhece a voz materna. Emite sons sem significado (balbucio). Reage à voz humana.

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De 6 a 12 meses: o bebê localiza sons, virando a cabeça na direção do som. Reage para sons suaves. Aumente o balbucio: brinca com a voz, repetindo suas emissões (dá, dá,dá ...). Atende ao seu nome.

- 1 ano: o bebê aponta e procura objetos e pessoas familiares quando solicitado. Emite as primeiras palavras (mamãe, papai, tchau ...)

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1 ano e seis meses: a criança entende ordens verbais simples (dá tchau, joga beijo ...) e usa palavras simples. Mostra partes do corpo.

- 2 anos: a criança aumenta seu vocabulário intensamente. Usa sentenças simples, combinando 2 ou 3 palavras (dá bola ...)

- 3 anos: nesta fase a criança já está mais familiarizada com o meio ambiente e se comunica através da fala com outras crianças. Inicia a etapa da socialização.